quarta-feira, 10 de julho de 2013

O duplo padrão

Um tipo vai a um médico particular, com uma rececionista incompetente, que tem cinco ou seis pacientes à sua frente, a tentar tratar ao mesmo tempo da faturação, marcações de novas consultas, telefone e informações gerais, enquanto o médico, que já chegou ao consultório meia hora atrasado, vai acumulando atrasos sobre atrasos nas consultas. Tudo normal, um ou outro queixume, mas nada de espetacular.

Um tipo vai inscrever-se ao centro de saúde porque se esqueceu de tomar a vacina para o tétano, é atendido ordeiramente através de um sistema de senhas, a administrativa dá todas as explicações e mais alguma, os enfermeiros são impecavelmente profissionais e corre tudo bem. Porque a dada altura uma "utente" se aproximou do balcão de atendimento e ficou por ali a pairar, há logo um desabafo mental ao estilo, o povo é sempre a mesma merda, não se consegue organizar e esperar pela sua vez, tem a mania que é esperto, é por isso que isto não anda para a frente.

domingo, 7 de julho de 2013

Crise política #2

O gajo da esquerda tem-se em altíssima consideração e tem um profundo desprezo pelo gajo da direita. O gajo da direita, mesmo sendo uma nulidade, já anda nisto há alguns anos e de qualquer forma é amestrado por quem já esqueceu mais de política do que o gajo da esquerda alguma vez vai saber.

É por isso que o gajo da esquerda e o gajo da direita estão com esta cara. É que não se suportam, mas enquanto os gajos que os controlam quiserem, o que até pode não durar muito, vão ter de se aturar.

De qualquer forma, é impagável a tromba do gajo da esquerda, que agora anda por aí com uma granada na mão que lhe vai rebentar na cara a qualquer momento.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Crise política

Nos últimos dias, frequentemente dei por mim a pensar – mas estes gajos ganharão bem? É que não houve um sacana de um comentador (e quem diz um, diz uma) que acertasse no que quer que fosse e o Marques Mendes só tem programa no sábado, o que de qualquer forma não interessa, porque não deve conhecer nenhum chibo no CDS.

Se fossemos a acreditar nestes gajos, a esta hora já andava tudo em campanha eleitoral (o paulo portas não conta, porque nunca deixou de estar), a colar cartazes, a pichar paredes a torto e a direito (o coletivismo do PCP começa na liberdade de dar cabo da propriedade alheia) e a dizer mal do próximo (o bloco de esquerda não conta, porque o bloco de esquerda não conta). Em todo o caso, acaba de se me revelar a genialidade da opção do BE. Os tipos vão poder ter comícios em simultâneo, porque têm lá aquilo da liderança bissexual, se bem que dum ponto de vista lúdico, era muito mais interessante ver os dois estarolas a falarem em uníssono ou ao despique.

Bom, andando, por esta altura vale tudo. O paulo portas demitiu-se porque o país está em pior estado do que se imaginava. O vítor gaspar demitiu-se porque não é capaz de levar isto para a frente e a malta já não gosta dele. O paulo portas demitiu-se porque o passos coelho não é capaz de levar isto para a frente e quer ser primeiro ministro, ou vice primeiro ministro, ou já está a preparar caminho para uma coligação com o ps, etc., etc.

No meio disto tudo, a única coisa que tomo por certa depois do Pires de Lima ter dito “… que Portas é o líder incontestável do CDS”, é que o cds já lhe comprou uns patins novos.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Golpe militar no Egipto: Morsi deposto e Constituição suspensa

In Público

Mas afinal de contas para que é que serve o nosso exército? Suponho que mais uma vez a culpa será do paulo portas. Quem é que faz um golpe de estado com submarinos?

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Os reformados

Como se já não chegasse a trapalhada em que estamos metidos para um tipo ficar preocupado, as televisões  ainda resolvem só chamar para os espaços de opinião os velhinhos da velha guarda, como quem diz - pois é, com os imbecis que por aí andam isto não vai lá, toca a levantar o cú e voltar ao ativo.

Governo de salvação nacional

Diz o José Gomes Ferreira no jornal da uma, entre os habituais histerismos e imbecilidades, que o que é preciso é um governo de salvação nacional, com o Rui Rio, o Paulo Macedo e o António Costa. E a verdade é que pela primeira vez o homem deixou-me a pensar, que não insultos ou formas mais ou menos dolorosas de o calar.

Penso que percebi. O Rui Rio para primeiro ministro, a cara política da coisa, e o Paulo Macedo, que não é dado a grandes manifestações públicas, para ministro das finanças. Suponho que ao António Costa caberá o habitual papel de entreter a malta e distribuir tachos à esquerda e à direita, literalmente.

Passos não se demite, nem aceitou ainda a demissão de Portas

In Público

O problema de muitas pessoas é não saber parar, lá aquilo de se levar a brincadeira longe de mais. Eu sou assim com as cócegas. Quando começo a fazer à Outra Metade, não paro, ao ponto de a determinada altura até eu ficar farto de mim. Infelizmente, no caso, parece-me também haver uma pitada de irresponsabilidade Quem diz uma pitada, diz que o gajo não faz a mínima ideia do que anda a fazer, nem é capaz de avaliar as consequências, que no fundo para ele serão nulas, porque é certo que lhe arranjarão um canto onde pode continuar a brincar com os legos, e é por isso que levamos com estas declarações ao país.

É engraçado, se calhar engraçado não será a escolha de palavras mais feliz, mas suponho que acabamos de passar pelo nosso momento Bush Jr. Aguarda-se então que o Paulo Portas comece a libertar lenta e mortalmente o que o homem foi dizendo nos conselhos de ministros ao longo destes dois anos. Imagino o vítor gaspar a explicar economia com powerpoints cheios de rebuçados, cavalinhos de carrossel, carros de bombeiros e da polícia, alinhados para construir gráficos, enquanto diz "este mês tivemos a maior taxa de crescimento do défice", ouvindo da cabeceira da mesa "se tivemos a maior taxa de crescimento, arranjem-me uma entrevista hoje na RTP", enquanto toda a gente baixa os olhos para o regaço, onde mantém as mãos cruzadas, para não lhe enfiar uma chapada, à espera que o vítor gaspar passe as próximas duas horas a explicar a palavra défice... Outra vez. Aliás, só assim se compreende que desde o final da semana passada o governo tenha entrado num frenesim e ande a propalar aos sete ventos (porque raio são sete?) que começamos a viragem. Eu ainda me perguntei para onde raio estávamos a virar e se isto ainda podia ficar pior? Agora já sei.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Relógio biológico

No fim de semana passado tive uma reunião de família. Daquelas à séria, em que participam mais de cem pessoas e em que não fazemos a  mínima ideia de quem é mais de metade do pessoal. A coisa foi bem engraçada e fartei-me de ouvi falar com saudade do meu pai, o que é sempre bom.

Mas o que me traz aqui é outro assunto, a sacramental pergunta "e filhos?", que me permitiu chegar a uma conclusão reconfortante. É que se há alguns anos eu lia nos olhares dos interlocutores reprovação e balbuciava em resposta qualquer coisa na linha do "sabes como é, ainda não estão reunidas as condições...", à medida que o tempo passa, o que aqueles olhos me transmitem é inveja, ao estilo "filho da p..., como é? A malta aguenta com isto e tu queres andar ai no bem  bom e vir depois sacar-lhes a reforma?".

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Santos populares

Ok, eu percebo. A pirotecnia é uma arte milenar e se em 1950 na América já havia cinemas drive in, por cá, em pleno século XXI, a malta continua a ir às festas populares para ver cantar os palermas do costume, com duas gajas meias despidas aos saltos em coreografias inenarráveis, enquanto são presenteados com versos mais ou menos ordinários, que fazem a delícia dos mais velhos quando no dia seguinte são debitados pelos netos de três ou quatro anos. Tudo bem, o povo tem de ser entretido e nada melhor do que fechar a festa com um fogo de artifício.

Eu, que tenho o prazer de viver junto ao Rio Douro, a meio caminho entre a Ribeira e a Foz, sábado à noite fui brindado pelo segundo fogo de artifício em menos de uma semana. O primeiro em honra do S. João, já este, do S. Pedro. Um a zero para o S. Pedro, que é como quem diz, um a zero para a junta de freguesia da Afurada, que pelos vistos tem um orçamento maior do que a câmara do Porto, que este ano optou pela quantidade em detrimento da qualidade (o raio do fogo durou quinze minutos, ao estilo, olha parece que vai ali outro). 

Bem, o que interessa é que no sábado a coisa foi em estilo e eu, que nem sou apreciador da "arte", lá estive à janela a assistir à coisa. Acontece é que domingo resolvemos ir dar um passeio a pé ao final da tarde, mas começamos a estranhar a quantidade de gente que se acumulava nas margens do Porto e Afurada. Descartei de imediato a possibilidade de já se estarem a posicionar para novo espetáculo noturno, muito menos diurno. Suponho que foi um erro de fé, levado pela crença que ninguém seria tão estúpido para ficar a assistir durante quinze minutos a um espetáculo, desta feita de foguetes, que se resumem a estampidos ensurdecedores. Enganei-me. Ah, no fim bateram palminhas, suponho que no mesmo espírito das aterragens dos voos charters.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Greve geral

Resumindo:

1. o pcp vai fazer comunicados inflamados dizendo que o povo está muito indignado, não aguenta mais e que esta greve é um cartão vermelho ao governo (enquanto sorriem entredentes com a genialidade da metáfora);

2. as centrais sindicais e os governos vão passar o dia a trocar acusações sobre os números. O governo vai fazer intervenções dizendo que a greve está abaixo dos 50%, enquanto as televisões mostram imagens de escolas e hospitais às moscas. As centrais sindicais vão dizer que os trabalhadores do privado também queriam fazer greve, mas o "patronato" não deixa. O privado assobia para o ar e faz de conta que não é nada com ele, porque já tem chatices que cheguem;

3. os palermas do costume vão ser apanhados desprevenidos pela greve do metro de lisboa e acabam a ser entrevistados em filas intermináveis para os táxis, enquanto olham pelo canto do olho e vêm a malta passar-lhes à frente.

Eu vou trabalhar porque, para já, ainda é para isso que me pagam.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Eu gostava de ter escrito isto...

"Só com o Borda d' Água se compreende o raciocínio e as estratégias do governo"

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Olhem uma coisa...

O  Cavaco Silva que quer pôr o FMI fora de Portugal e foi para o parlamento europeu criticar as políticas de austeridade é o nosso Cavaco Silva?

Mudaram o fornecedor de água em Belém? Eletrochoques?

Nuno Crato mantém exame de Português para segunda-feira

In Público

Suponho que a estratégia política deve ser qualquer coisa do género if you build it, they will come. É que agora que penso no assunto, este governo está a posicionar-se para uma bronca do caraças, porque se a malta já anda chateada com a "situação", os putos com 17 anos, fartos de ouvir falar na crise e os paizinhos preocupados com o futuro das crias neste pais desgovernado, não vão achar piada nenhuma. O gajo ainda diz que se vai candidatar outra vez?

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Sporting suspende relações institucionais com FC Porto

In Público

Hmmm... Disseram sporting? Esta notícia faz-me lembrar qualquer coisa, mas não sei bem o quê...

terça-feira, 4 de junho de 2013

É uma questão de igualdade: em Nova Iorque as mulheres podem fazer topless em Central Park ou qualquer ponto da cidade

In Público

Enquanto isso, no Parque da Cidade do Porto, nada! Se não é para usar as infraestruturas que temos de nível internacional, como os internacionais usam, então que se lixe. Mais vale usar os terrenos para construir casas de luxo frente ao mar. Sempre se pode dar o caso de uma das proprietárias resolver ir apanhar sol para varanda de forma mais cosmopolita.

Em todo o caso, a notícia gira parcialmente em torno de uma "artista" que pelos vistos se dedica a passear pela cidade ou a participar em manifestações em topless. Ora se o topless é uma forma de intervenção artística contra os costumes, caso contrário seria só mais uma palerma a circular pela cidade meia despida, porque raio há-de ser permitido? Repare-se que isto sou eu a fazer de advogado do diabo, até mais porque a dita artista não deixa de me fazer recordar a Maria Teresa Horta.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A lei da atração...

Não sei o que se passa, mas eu e a Outra Metade devemos ter um íman humano. Mesmo que a praia esteja vazia e até nos tenhamos afastado bastante do passadiço de acesso, em busca de paz e sossego, irá sempre aparecer uma família, o pai, a mãe, a avó, a tia solteira, a filha adolescente e o puto gordo, com barraca, guarda-sóis, fogareiro, tachos, geladeira e a inevitável bola, que se vão instalar a cinco metros de nós, claro está, marcando uma zona de influência que entra pelo nosso tapa-vento adentro.

E é assim que depois de montado o acampamento e enquanto exploram os limites do seu reino, que se decidem aproximar ainda mais de nós, para: hipótese a), a avó, a  mãe e a tia solteira escolherem para falar sobre a infeção de candidíase da filha e de como ela se dá mal com o período, que a tia também era assim até ter experimentado aquela pomada que se põe com o aplicador, mas antes é necessário raspar o...; hipótese b), com direcionalidade totalmente aleatória, o puto gordo começar a dar chutos na bola, que nos vai passando razias à cabeça, enquanto pergunta aos gritos "quando é passa o homem das bolas de berlim" e chama o pai para vir jogar com ele; hipótese c), a filha senta-se ao nosso lado e passa o dia todo na conversa ao telemóvel com o namorado, conversa essa que ao fim dos primeiros dois minutos se resume a "tu é que és", "não tu é que és", "tu é que...", entre risinhos histéricos.

Obviamente não adianta nada mudarmos de lugar, enquanto praguejamos entre dentes, porque a regra mantém-se e mal estejamos deitados, um clone da primeira família vai surgir do nada e instalar-se novamente ao nosso lado, provavelmente primos ou vizinhos dos primeiros e vão passar o resto do dia a falar aos gritos de um grupo para o outro.

Mostra-me os teus pés, dir-te-ei quem és!

Volta e meia surpreendo-me a tentar adivinhar que alinhamento cósmico terá sido necessário para que em dado momento no tempo alguém se tenha lembrado que não, isso de andar com os pés no chão dentro do carro não é bom, bom é meter os pés fora da janela. E desde então é vê-las, porque só quase elas praticam este desporto, na A1 e A2, à ida ou vinda do Algarve, alegremente recostadas, com o vidro todo aberto e um ou dois pezinhos estirados em direção ao infinito, qual bandeira hasteada, anunciando a presença de um carro do corpo diplomático.

Para além de questões estéticas, obviamente discutíveis, de saúde pública, é ver os carros que estão na peugada, a ziguezaguear, tentando evitar o rasto de chulé, ninguém está a dar o devido valor à vertente ambiental. É que os pés assim espetados acabam por ser um obstáculo incontornável e a mosquitada suicida-se em massa contra eles, numa carnificina sem quartel.

Pior mesmo, só a variante pés no tablier, que começa com um contorcionismo digno de um faquir e acaba com os ditos perto da ventilação, que se encarrega de espalhar o aroma pelo habitáculo. Minhas senhoras, se os tabliers tivessem sido pensados para os pés, as marcas de automóveis também lá tinham colocado tapetes!

domingo, 2 de junho de 2013

Olhem uma coisa?

Ao nível das mensagens de amor, o limite das metáforas do tipo, tu és o sol da minha vida, a flor do meu quintal, a gasolina do meu motor, fica antes ou depois de, o cocó da minha retrete?

E agora apaguem essa imagem da vossa memória!

sábado, 1 de junho de 2013

Vá, agora que ninguém nos está ouvir...

Mas alguém efetivamente gosta da nova música dos Daft Punk? Ai e tal, que são muito bons músicos, olha para mim a tocar guitarra ritmo e a bater nos pratos de choque ou a fazer voz de robot.

Sim, sim, muito interessante! Não fosse o raio da música nunca mais acabar. É que lá para o minuto quarenta e três eu já estou farto de perceber porque é que os gajos ficam a pé toda noite e depois aquela porcaria já começa a parecer um martelo pneumático... we're up all night to get lucky... We're up all night to get lucky... Papa papa papapapa... Papa papa papapapa...

E já agora, mas isto sou só eu a dizer, não sei se será muito boa ideia andarem por aí a espalhar que precisam da noite toda para sacar uma gaja.