segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Computadores

O meu portátil já tem seis anos, o que, como os anos de cão, serão para aí cento e dez anos numa pessoa. Foi pois sem surpresa que nos últimos meses começou a revelar o peso da idade, arrastando-se como se tivesse displasia da anca. Recentemente a coisa agravou-se, vai daí lá me decidi substituí-lo e comecei a pesquisar alternativas na internet. Mantendo a metáfora, suponho que para os computadores isto é mais ou menos a mesma coisa que levar um  cão ao veterinário para ser abatido, porque o bicho até pareceu que pressentiu o fim e anda a fazer um esforço a ver se evita o inevitável.

O Porto é uma nação

Sempre senti que vivo numa cidade especial. Frequentemente, mais do que gostaria, essa especialidade é por contraposição e resulta da inveja relativamente à capital. Não é fácil ser a segunda maior cidade do país, o filho mais novo que também quer chegar a casa depois da meia noite, mas não o deixam. O Porto, cidade, passa parte da sua vida a lamentar-se que também podia ser isto ou aquilo, mas a capital não quer, o poder não deixa, o dinheiro não vem.

Esta circunstância, aliada a proveniência da população, nativa ou vinda do norte, Trás-os-Montes e Alto Douro, gente dura e orgulhosa, que prefere quebrar a torcer, tornou-nos combativos e capazes de nos suplantar perante a adversidade. E é assim que por vezes, felizmente muitas, acontece qualquer coisa que nos lembra que realmente somos especiais. O Porto, clube, para isso muito contribui, corporizando esse espírito e demonstrando época após época que podemos ser donos do nosso destino e conquistar o mundo. Depois, há as pequenas coisas, aqueles sinais de irreverência e altivez, como a rejeição dos parques pagos nos centros comerciais.

É por isso com orgulho que vejo a eleição do Rui Moreira para presidente da câmara. Não tanto por estar certo que vá ser um excelente presidente, mas porque os partidos não nos apresentaram candidatos aceitáves, um também ele uma incógnita, o outro a certeza do descalabro, pelo que a cidade tomou nas suas mãos o seu destino, gerando e elegendo a solução. Bibó Puorto!

domingo, 29 de setembro de 2013

sábado, 28 de setembro de 2013

Mais vale perder um segundo na vida, que...

Sabem aquelas pessoas que conduzem extremamente devagar? Aqueles que começam a travar cem metros antes de uma curva e que já dentro da curva, inesperadamente, travam ainda mais? Os que travam quando os outros aceleram e aceleram quando os outros travam? Os mesmos que vêm ao fundo o sinal verde e mantêm a mesma velocidade, acabam por passar no amarelo, enquanto ficamos presos no vermelho? E que entram nos entroncamentos sem olhar e cruzam todas as faixas calmamente? É só para avisar que hoje esses cabrões saíram todos à rua!

O sentido da vida

Volta e meia dá-me para entrar num estado contemplativo e refletir sobre vida, de onde vimos e para onde vamos, o que normalmente resvala para coisas mais grandiosas, como a teoria do big bang e a singularidade, uma cabeça de alfinete onde a dado momento se concentrou toda a matéria e energia que compõe o universo, o que, está bom de ver, me provoca uma certa angustia adicional, porque se todo o nosso universo estava nessa cabeça de alfinete, afinal de contas onde raio estava a dita e quando foi isso, coisa suficiente para me deixar com reservas sobre os conceitos de espaço e tempo, que se calhar não passam de convenções e se assim é, a partir da próxima segunda-feira só apareço na empresa depois de almoço.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Serviço público

É isso, à laia de serviço público, vou informando que logo os noticiários começam com inundações nas ruas deste país, obviamente inesperadas, no sentido em que não nos enviaram nenhum sinal... Sei lá, as andorinhas foram embora, o outono chegou, hmmm...

Bem, parece que chegou...

... a desculpa para metade dos portugueses recenseados não ir votar.

É que isto das condições meteorológicas ideais para a prática da modalidade ainda são mais difíceis que para saltos de ski, que até se fazem na primavera, sem neve, na relva. Não, em Portugal, para votar não podem estar mais de 23 graus (quase que dava na segunda feira), ou menos, mas com chuva, ventos fortes ou saldos. As condições ideais são: 19 graus, uma ou outra nuvem no céu, vento de 2 kms/h e nenhum jogo de futebol à tarde.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Tribunal decide que chamar "incompetentes" e "ladrões" aos serviços fiscais não é crime

In Público

Dando assim cobertura legal aos usos e costumes do povo. Aguarda-se agora que a Academia de Ciências introduza os termos no dicionário, como sinónimos. Para breve, despacho sobre "políticos"...

Uma imagem vale por mil palavras...

... lamentavelmente, quase todas são insultos e se calhar é melhor ficar calado, para não me meter em chatices.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Hop-on, hop-off

Uma das melhores coisas que se pode fazer quando se visita uma cidade estrangeira é comprar um passe para os autocarros de "ver as vistas" (eu sei, eu sei), dar uma volta pela cidade, sair e entrar onde nos apetecer e ver os principais pontos de interesse ao ritmo que muito bem entendermos, normalmente sem quaisquer pressas. O que me lembra que já era altura dos STCP acabarem com essa merda no Porto, porque estou farto de ficar encravado atrás de um desses filhos da p… Se querem ver as vistas, andem a pé que não enjoam! Afinal de contas, foi para isso que trouxeram as sandálias que calçam com meias, não foi?

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Grândola vila morena

Uma das conquistas de abril (imaginar dedos no ar em forma de aspas) é a obrigação do estado assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito (imaginar gargalhada). Lamentavelmente, talvez por falta de visão, os pais da nossa constituição não previram nada quanto à obrigação do estado assegurar o acesso universal, obrigatório e gratuito a consolas de jogos, uma para casa e outra portátil, sapatilhas de marca, telemóveis de última geração, óculos de sol iguais aos do CR7, últimos modelitos da moda e canais de televisão de desporto pagos. Vai daí, os pais das nossas crianças ficam justamente indignados por, em cima disto tudo, ainda terem de pagar os manuais escolares dos filhos, uma porcaria que se gasta num ano e, vejam lá, não serve para mostrar a ninguém.

domingo, 22 de setembro de 2013

Um tipo não pode deixar de ficar surpreendido...

... quando vê um casal a ler na esplanada. Ela um livro, ele os folhetos de promoções dos hipermercados...

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Florença

Em setembro tive umas férias do caraças, ou pelo menos, mesmo com um ou outro incidente, é assim que as recordo, o que vai dar ao mesmo, porque o que se leva desta vida, dizem, são as recordações, se bem que ninguém possa ter a certeza, porque ninguém viveu para contar, tirando o Gabriel Garcia Marquez, que mesmo assim só escreveu o primeiro volume, de que gostei muito, sim senhor, e me lembra que tenho de comprar um tablet, porque já não há pachorra para segurar calhamaços de 600 páginas, a não ser que seja “A verdade sobre o caso Harry Quebert”, que é um livro do caraças, o primeiro que li em que de volta e meia baixava o livro e dizia “ isto é do caraças”, o que me faz lembrar as férias, que estava eu a dizer, foram inesquecíveis, não que a coisa tivesse sido planeado, porque à partida até estávamos para ir para Istambul, mas lá para junho começamos a achar que a animação noturna estava ao nível das manifestações à frente da assembleia da república e que se era para isso, então íamos para fora cá dentro, mas pelos vistos há mais de um ano que não fazíamos viagens a cidades, vai daí fomos parar a Florença, que sim é uma cidade muito bonita, com os melhores gelados do mundo e os melhores paquetes de hotel a arrombar malas de quem se esqueceu da chave no chão do hall, em casa, no Porto, onde não fazem tanta falta, porque temos armários cheios de roupa, que diga-se até é fácil de comprar em Florença, porque tem lojas de todas as marcas de alta-costura, o que me deixou a pensar se haverá assim tantos turistas a comprar roupa no estrangeiro, mas, em retrospetiva, se calhar devia era ter pensado se haverá assim tanta gente a esquecer-se da chave da mala em casa, porque o paquete nem pestanejou ao abri-la, enquanto nós respirávamos fundo e chorávamos de alegria e emoção, quase tanta como a que se tem a olhar para a cidade do alto do Duomo ou a partir do outro lado do rio, vistas só comparáveis à paisagem provincial, com os montes e vales cobertos por campos, aqui e ali polvilhados por ciprestes e uma ou outra villa, cortados por estradas sinuosas que nos levam a sítios inesquecíveis, como estas férias que, já nem sei se vos disse, foram do caraças.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Prova Superada

Quando calha de ir a Espanha, fico sempre impressionado com a total indiferença que os espanhóis têm pelos carros. Ele é estacionamentos de ouvido, raspanços a mudar de fila e os carros amassados em todos os cantos e esquinas. Eu com isso até podia bem, não fosse terem importado a atitude para Portugal ao construírem o El Corte Ingles de Gaia, que tem as rampas e curvas mais estreitas que alguma vez vi. Vai daí, andar por ali é tal prova de pericia, que sempre que saio do parque quase que dou por mim a gritar, entre sorrisos e acenos para o público - PROVA SUPERADA!

domingo, 8 de setembro de 2013

Toscânia

É verdade que Portugal tem cidades monumento ou com zonas históricas pitorescas e interessantes, que nos transportam imediatamente para outros tempos e outras vidas. Tem regiões vinícolas como o Douro e o Alentejo, com paisagens arrebatadoras transformadas pelo homem, onde se produzem alguns dos melhores vinhos do mundo. Tem gentes simpáticas e acolhedoras, sempre prontas a partilhar uma história e um pedaço da sua cultura. Tem tudo isso e uma gastronomia espetacular.

Lamentavelmente, em Portugal não se fala italiano! E isso, meus amigos, faz toda a diferença.

sábado, 31 de agosto de 2013

Voar

Sou só eu que ao ouvir as hospedeiras de bordo dizerem "os coletes de salvação podem ser encontrados debaixo dos assentos", considero a probabilidade de ser uma piada das companhias de aviação e não estarlá nada?

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Sabão macaco

Então é assim, um gajo vai ao dermatologista porque tem um bocadinho de dermatite, a ver se o tipo, supostamente uma barra, resolve a coisa definitivamente e, na volta do correio, ouve: lave sem sabão! Pior: lave menos ou nem lave!

Assim, sem espinhas nem pré-aviso. Pelos vistos, nós, a malta ocidental, esquece-se que a água da torneira já vem cheia de desinfectantes e, não contentes com isso, ainda espeta com geles de banho, tónicos, bálsamos e o que mais houver, basicamente rebentando com a barreira hidrolipídica da pele, foi o gajo que disse, não eu, e é um ver se te avias de vermelhidões, borbulhas e comichão. Parece que a natureza também pensou nisto e quanto mais porcarias pusermos, mais difícil é restaurar o equilíbrio. Se a pele precisar de produzir gordura, vai produzi-la, se não precisar, vai entreter-se com outra coisa qualquer.

Como a coisa me pareceu sensata e o tipo não deve estar numa cruzada contra a indústria cosmética, sou capaz de experimentar o conceito. Até encontrar a medida certa, não se surpreendam se ao chegarem ao blog encontrarem um bocadinho de sarro no ecrã...

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Fazer a mala

Para as férias de oito dias na praia estive para fazer a mala de forma absolutamente organizada. O plano era colocar a roupa pela ordem em que ia ser utilizada: primeiro dia, manhã - calções de praia e t-shirt; primeiro dia, final de tarde - boxers, polo, bermudas; segundo dia, manhã - calções de praia e t-shirt, e assim por diante. O plano acabou abortado porque só tenho quatro calções de praia e não me consegui convencer a quebrar a regra, nem a comprar mais calções.

Agora, para as férias culturais, ou de viagens a cidades ou lá o que é que ela lhes chama, voltou-se a colocar o desafio. Cinco dias, quatro noites. Será possível fazer tudo com uma mala de cabine? A pergunta é meramente retórica, porque no ano passado vimos um casalinho de putos a viajar oito dias para a República Dominicana com duas malinhas de cabine, daquelas que cabem as duas ao mesmo tempo no medidor da Ryanair e o tipo ainda levava sapatilhas para correr. Portanto, sim, cabe tudo, desde que um gajo seja grande mestre em origami e consiga dobrar a roupa toda em quadradinhos minúsculos.

A coisa comigo não resulta, porque sou, digamos, um tudo nada obsessivo no que respeita à antecipação de imprevistos. Vai daí, quatro polos para andar durante o dia, duas ou três camisas para jantares especiais, cinco ou seis pares de boxers, uma t-shirt para dormir, outra t-shirt para o que for, umas calças de ganga para o caso das primeiras se sujarem, umas bermudas, havaianas para a piscina, outras sapatilhas. E ainda não entrei na higiene pessoal e medicamentos, carregadores, patinho de duche e ursinho de peluche...

sábado, 10 de agosto de 2013

Trip Advise(r)

Ok, depois de dezanove horas de voos e aeroportos, e dois dias de jet lag, aqui fica o que de mais importante retive destas férias: quando lerem no trip advisor: há muitos italianos, que circulam em grupos e que, não sendo agressivos ou desordeiros, falam um bocadinho alto; leiam isto: os filhos da p*** dos italianos parece que se reconhecem à distância e mesmo antes de ouvirem falar já se estão a sorrir e a saudar. Organizam-se expontaneamente na praia em grupos com nunca menos de dez indivíduos e falam todos ao mesmo tempo horas seguidas, alto para cara***. E, se a Itália realmente dita as tendências de moda, é melhor começarem a escolher a vossa tatuagem.