segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O príncipe

Isto de andar uma semana a deixar que fugas de informação pinguem, gota a gota, a ideia que as pensões de sobrevivência e viuvez iam todas para o galheiro, para agora fazer um número de magia e aparecerem como responsáveis e preocupados com os mais desfavorecidos, diz muito da preparação deste governo.

Diz que ao nível da ciência política devem estar mais ou menos no grau zero e a única coisa que aprenderam foi recomendada pelo Gekko, no Wall Street, que a dada altura lá manda a malta ler a Arte da Guerra do Sun Tzu e o Príncipe do Maquiavel. Bem, pelo menos ficamos a saber que afinal de contas sabem ler. Se bem que alguém lhes possa ter lid...

Síndrome da porta aberta

Se de repente começarem a deixar a porta do frigorífico aberta, na base do já lá vão voltar para arrumar o que de lá tiraram ou porque ainda vão buscar mais qualquer coisa, não cedam, tomem medidas imediatas. É que rapidamente e sem se aperceberem, estão a deixá-la sempre entreaberta e quando a coisa se tornar mesmo galopante, vai ser mesmo qualquer porta. É pura e simplesmente insuportável.

Dou por mim a voltar a divisões onde tinha estado cinco minutos antes e nenhuma porta está fechada. Ao princípio, ainda pus a hipótese da casa estar assombrada, mas como o apartamento tem cinco anos, nunca foi habitado, nem foi construído sobre um cemitério, não me pareceu plausível. Uma análise mais cuidada e os gritos indignados da Outra Metade permitiram concluir que era eu o imbecil que não as fechava.

Em todo o caso, a coisa parece ter saído fora do meu controlo e querer não é poder, porque mesmo querendo fechar as portas, parece que os músculos se recusam a responder e, por muita força que queira fazer, o raio das portas acabam sempre por não se fechar. Evidentemente poderei estar a ser vítima de um complot para me levar à loucura e alguém, vá-se lá saber quem, colocou molas em todas as portas para não fecharem. Não sei, digo eu...

domingo, 13 de outubro de 2013

Afinal de contas a ASAE está ao serviço de quem?

Periodicamente sou obrigado a deslocar-me à Alemanha e é sempre com alguma ironia que constato que aquilo é povo que se está completamente a borrifar para as regras europeias de saúde pública alimentar. Regras essas, provavelmente inventadas por eles.

Ele é mãos que ora estão a manusear dinheiro, ora estão a preparar uma sandocha que alegremente pousam em cima do balcão, balcão esse coberto de porcarias deixadas pelos clientes anteriores. Aquilo é gente que não faz ideia do que é uma luva de plástico ou latex. Felizmente nunca tive de pôr os pés numa urgência hospítalar, porque não faço ideia se eles sabem o que são seringas descartáveis. A verdade é que isto não me chateava por aí além, não os tivesse visto a sair da casa de banho,olhando com um certo desprezo para os lavatórios. É que já nem falo de sabonete líquido, mas água, um bocadinho de água.

Enfim, dever ser lá aquilo do olha para o que eu digo e não para o que eu faço. Alguém ainda se lembra da lei que obrigava os táxis a serem pintados de côr bege? Os táxis alemães são brancos... De qualquer forma, há que admirar a coerência do povo. É que assim como não chateiam com isso da higiene alimentar, também deixam ao critério de cada um a velocidade a que circula na autoestrada. Dever ser uma questão de responsabilização pessoal. Em todo o caso, preferia que o taxista me pedisse a opinião antes de se meter na autoestrada a 210 hm/h.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O Futuro é o passado

In Público

Pegando na opinião do António Costa Pinto, no Público, atrever-me-ia a tirar todas as ilações do título. O futuro com "Passos Coelho vai continuar a ser a infelicidade de uma bela parte da sociedade portuguesa e ainda está para durar" e certamente levará Portugal até 1960.

É que se a sociedade onde vivemos até 2009 não passou de uma fantasia, um embuste impingido depois da revolução aos portugueses, que se deixaram levar por delírios de grandeza, exigindo e vivendo para lá das suas possibilidades. O empobrecimento de Portugal e a destruição do estado social, salvo as devidas distâncias, é como que um genocídio, não de um povo, mas de uma classe social, a média.

Passos anuncia novo orçamento rectificativo

E é isto...

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Ponto de embraiagem

Anda por aí um blog, um blog qualquer, a gozar com a minha forma de conduzir. Tudo bem, eu agradeço as críticas construtivas e não fico ressabiado.


A verdade é que não suporto as pessoas que circulam na estrada como se estivessem sozinhas e andam a vinte onde podem dar cinquenta, mudam de direção sem qualquer pré-aviso, param inesperadamente ou não dão passagem a ninguém porque seria um ato de submissão. E eu nem acho que seja por se estarem a borrifar, mas sim a total inconsciência do que estão a fazer, que sinto como um ataque pessoal.

Seja como for e já que estamos a falar de carros, não te esqueças de atestar o depósito, porque no próximo fim de semana guias tu.

Nenhuma criança fica para trás

Numa época em que a igualdade de oportunidades deu na imbecilidade do título do post, que já agora deriva da expressão em inglês no child left behind, pelo que, para minha surpresa, tudo leva a crer a ideia até nem foi nossa, temos uma escola que na essência passa a seguinte mensagem - podes ser burro como o caraças e não ter aprendido puto, mas não vai ser por isso que te vamos chumbar. Dizia eu, numa época em que a mediocridade não é penalizada, temos governante após governante a justificar-se no parlamento, ou onde calhar, com explicações mirabolantes e sem qualquer consequência.

E esta nem é a má notícia. O pior é que, na sua maioria, estes ainda estudaram durante a ditadura, agora os que vêm aí...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

E que tal retirar as câmaras ao PSD?

Ao nível da legitimidade política e constitucional, parece-me que deve estar mais ou menos ao mesmo nível que isto das pensões de sobrevivência. De qualquer forma, seria até a reposição da verdade política, porque tivesse o PSD anunciado estas medidas há duas semanas atrás e não tinha nem um junta de freguesia, quanto mais câmaras...

O estado e as pessoas de bem

Reparem que não disse o estado é uma pessoa de bem. Para tentar não perder muito tempo com o assunto, vou pôr as coisas da forma mais simples que me ocorre. Se eu aplicar dinheiro num banco e contratar uma taxa de juro fixa, é bastante frequente o banco pagar os juros devidos pontualmente. E se o banco tem ou não condições para praticar iguais condições com novos clientes é indiferente. Mais, se calha do banco deixar de pagar os juros contratados, posso processá-lo e ganho. A coisa é linear e transparente. Não passa pela cabeça de ninguém que os juros variem, seja por excesso de despesa, investimentos falhados ou porque num mês ou outro está a fazer menos empréstimos. Digamos que seria ridículo.

Pelos vistos, com o estado as coisas já não são bem assim e as regras, sejam elas quais forem, podem mudar ao sabor dos tempos. Note-se que não estou a discutir se as pensões são justas ou não, tão pouco os abusos do sistema. Estou a falar de gente comum, como quase todos nós, reformados e pensionistas  que contrataram um rendimento com o estado e agora dizem-lhes que não, tenham lá paciência, isto afinal não era bem assim e se calhar era melhor não terem planeado essa vida, porque nós enganamo-nos aqui numas coisas e os senhores, afinal de contas, já não contam para nada.

No fundo o que está a ser dito é, expirou o vosso prazo de validade, vocês são um estorvo e porreiro, porreiro, era que morressem. Tenham é a gentileza de esperar um bocadinho, que ainda temos que acabar com o que restou do subsídio por morte.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Governo prepara corte nas actuais pensões de sobrevivência

In Público


Há algumas coisas na vida que nascem connosco ou vêm do berço e que depois, podem demorar mais ou menos tempo a manifestarem-se, acabam sempre por vir ao de cima.

Uma delas é o bom ar. Não confundir com bom aspeto, que por muito que se tente também não se pode comprar, mas aquilo que nos leva a confiar em alguém que nunca tínhamos visto mais gordo, mesmo que esteja todo roto e sujo. Há ali qualquer coisa na atitude, a postura, a forma como fala e gesticula, que nos leva a confiar, quem sabe até a dar uma boleia. Agora imaginem estes tipos na berma da estrada, com o polegar estendido para cima. Alguém se arrisca?

A liderança definitiva

Pelos vistos aquilo do provisório lá se confirmou e continuaram no lugar de onde, afinal de contas, nunca saíram. Suponho que é destas pequenas alegrias que se faz a vida...

domingo, 6 de outubro de 2013

A liderança provisória

Com o benfica a vacilar e o sporting anormalmente resistente, os jornais lá se viram obrigados a desviar o centro das atenções, sem com isso se desviarem das imbecilidades do costume. Vai daí, aqui estamos nós com as lideranças provisórias, leia-se, ainda a jornada não acabou, para os mais distantes destas coisas do futebol, antes dos adversários jogarem.

Eu podia dizer que a liderança provisória está para o futebol, como os líderes das fugas ou  prémios de montanha estão para o ciclismo. Mas não, não está e por isso não vou dizer. Os líderes das fugas estão a correr contra alguém que, pasme-se, também está a correr, o que é capaz de trazer algum mérito à coisa e os prémios da montanha são efetivamente prémios para o gajo mais rápido a subir uma montanha.

Para marcar bem o ridículo da coisa, seria um tudo nada estúpido dar um prémio a uma equipa que tem mais pontos que outra que ainda não jogou e deve ser por isso que não me lembro de nenhuma liga europeia de líderes provisórios que, de qualquer forma, a existir será algo informal e chama-se taça dos falhados. 

Meus caros, isto das competições, como na vida, tirando as idas à casa de banho, não basta desejar com muita força para acontecer.

sábado, 5 de outubro de 2013

Assessor de Passos omite no currículo uma década de trabalho no BPN

In Público

Frequentemente lembro-me da frase, "melhor que roubar um banco, é fundar um". Suponho que para alguns isso deve ser mais ou menos lá aquilo do been there, done that e  resume-se a uma questão de carreira. É preciso progredir, procurar novos desafios. Depois de fundar um banco, nada como governar um país.

Serviço público

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Trabalhadores que rescindam com o Estado têm 30 dias para manter a ADSE

In Público

Não, não tirei do Inimigo Público. E de qualquer forma, não sei porque é que estranharam. Faz todo o sentido e é exatamente igual ao que se passa no privado. Toda a gente sabe que sempre que uma empresa rescinde com um funcionário continua a pagar-lhe o seguro de saúde.

E antes que se ponham com coisas, não, 2,5% da massa salarial não chega para financiar a brincadeira. Ainda assim, se conseguirem provar que chega, então era porreiro estender a todos os portugueses. Somos todos operados no privado por meia dúzia de euros e eu já não tenho vontade de sacar os óculos da cara dos funcionários públicos e dizer que são meus. Vale?

23% dos condutores portugueses já adormeceram ao volante

In Público

E por um raio de um azar, era capaz de apostar que andam quase sempre todos à minha frente.

Ainda sobre esta semana

Finalmente sexta-feira e um gajo dá por si frente ao espelho da casa de banho a pôr pasta de dentes na lâmina de barbear, o que ao nível das mortes acidentais, é bem capaz de ser das mais estúpidas.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Cavaco Silva afirma que é “masoquismo” dizer que a dívida não é sustentável


Mas ele pensará que em Portugal não temos televisões? Este homem tem uma vontade férrea de levar para a frente as suas ideias. Lamentavelmente, neste momento, a única ideia que tem é manter-se no lugar. Tudo o resto é deprimente e degradante. Será que alguém lhe explicou os deveres de um presidente da república? É que, aparentemente, para ele exercer uma magistratura de influência ou ser um moço de recados é mais ou menos a mesma coisa. Será que o António Guterres vai ser igual?

Antropomorfismo

Às vezes há ideias que me ficam gravadas na cabeça e por muito que tente arrumá-las para um canto, volta e meia lá voltam a desabrochar.

Durante imenso tempo cismei com a cara do Francisco Ferreira da Quercus. Não sei porquê, fazia-me lembrar, hmmm, como é que hei-de dizer isto, uma glande. É certo que uma glande com braços e óculos, mas ainda assim uma glande.

Finanças confirmam que documentos sobre swaps não foram destruídos

In Público

Todos ou só alguns? É que isto da informação tem duas perspectivas. Tão importante como o acesso, é a capacidade de a fazer desaparecer. Suponho que a competência estará na capacidade de optar. Esta coisa de andar para trás e para a frente, qual número de ilusionismo, ora aparece, ora desaparece, nada na manga, nada na mão, é coisa para irritar um bocadinho.