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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Sobre a delicadeza

Regra geral, vá-se lá saber porquê, não sou tido por um gajo delicado. Sim, não uso boxers com rendas, nem cremes para isto e para aquilo, mas não era bem a isso que me referia. Digamos que me falta algum filtro e, não sendo propriamente inconveniente, volta e meia lá me sai um comentário um bocadinho mais acutilante ou menos consensual. 

É mais ou menos nesse espirito, e até nem me parece que seja o pior exemplo, que quando uma conhecida já deu ou está para dar à luz, só para provocar, costumo perguntar se já rebentou. Pergunto às amigas e colegas e, obviamente, sou recebido com um coro de protestos, que normalmente começa por longos "ohhhhhh". Lá aquilo do é um momento tão bonito, único na vida de uma mulher, cria-se um laço para a vida, vocês os homens não conseguem perceber, e tretas dentro da mesma linha.

Acontece que quando falo com amigas que já, hmmmm... pariram(?) há muito tempo, sou confrontado com a realidade da história e todos os mitos vão para o galheiro, em troca de: não me apanham nessa merda outra vez; p*** que pariu as dores de costas e de parto; não tive uma noite decente desde os quatro meses;etc., etc. É mais ou menos como o mito das viagens de núpcias às Maldivas. Logo após a viagem, que sim, que é muito bonito, espetacular, o melhor sítio onde foram. Passados dois anos, que ideia estúpida, não se passa nada, só se faz praia, não há uma porra de uma laranja ou maçã em todo o país. Sendo assim, suponho que toda esta treta está na linha dos desejos de gravidez ou da TPM como pretexto para uma vez por mês nos lixarem a cabeça com tudo aquilo que normalmente não têm coragem para dizer e reprimem.

A verdade é que, para momento único, tenho bem a impressão que são os pais quem sai a ganhar, porque enquanto a mãe está meia atordoada pelo esforço e dores, a maioria das vezes ainda sobre o efeito da anestesia, os pais estão totalmente conscientes no momento em que pegam pela primeira vez nos filhos. E deixem-me dizer que sim, a expressão que lhes fica gravada na cara realmente mostra que aquele é um momento único na vida.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Florença

Em setembro tive umas férias do caraças, ou pelo menos, mesmo com um ou outro incidente, é assim que as recordo, o que vai dar ao mesmo, porque o que se leva desta vida, dizem, são as recordações, se bem que ninguém possa ter a certeza, porque ninguém viveu para contar, tirando o Gabriel Garcia Marquez, que mesmo assim só escreveu o primeiro volume, de que gostei muito, sim senhor, e me lembra que tenho de comprar um tablet, porque já não há pachorra para segurar calhamaços de 600 páginas, a não ser que seja “A verdade sobre o caso Harry Quebert”, que é um livro do caraças, o primeiro que li em que de volta e meia baixava o livro e dizia “ isto é do caraças”, o que me faz lembrar as férias, que estava eu a dizer, foram inesquecíveis, não que a coisa tivesse sido planeado, porque à partida até estávamos para ir para Istambul, mas lá para junho começamos a achar que a animação noturna estava ao nível das manifestações à frente da assembleia da república e que se era para isso, então íamos para fora cá dentro, mas pelos vistos há mais de um ano que não fazíamos viagens a cidades, vai daí fomos parar a Florença, que sim é uma cidade muito bonita, com os melhores gelados do mundo e os melhores paquetes de hotel a arrombar malas de quem se esqueceu da chave no chão do hall, em casa, no Porto, onde não fazem tanta falta, porque temos armários cheios de roupa, que diga-se até é fácil de comprar em Florença, porque tem lojas de todas as marcas de alta-costura, o que me deixou a pensar se haverá assim tantos turistas a comprar roupa no estrangeiro, mas, em retrospetiva, se calhar devia era ter pensado se haverá assim tanta gente a esquecer-se da chave da mala em casa, porque o paquete nem pestanejou ao abri-la, enquanto nós respirávamos fundo e chorávamos de alegria e emoção, quase tanta como a que se tem a olhar para a cidade do alto do Duomo ou a partir do outro lado do rio, vistas só comparáveis à paisagem provincial, com os montes e vales cobertos por campos, aqui e ali polvilhados por ciprestes e uma ou outra villa, cortados por estradas sinuosas que nos levam a sítios inesquecíveis, como estas férias que, já nem sei se vos disse, foram do caraças.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Das relações

O problema das relações relações entre homens e mulheres, para além do óbvio, uns são homens, outras são mulheres, está claramente nas expetativas.

No caso das mulheres, o mal é não perceberem que os homens são, basicamente, pavões. E não quero com isto dizer que somos todos uma cambada de bichas histéricas, sempre a dizer alto, enrolando a língua, “ó melher”, enquanto dobramos o braço e estendemos a mão virada para cima, com uma pochete a tiracolo. Dizia eu, somos pavões, porque, quando queremos conquistar uma mulher, não olhamos a meios para chamar a atenção e captar o interesse. Vai daí, abrimos em leque todas as penas, numa tentativa de ofuscar a concorrência e o que quer que esteja à volta. Ele é interesse por tudo o que ela diga, faça ou suspire, perguntas sobre o dia, o trabalho, a família, os vizinhos, o cão, gato, periquito e o que mais houver. São convites em série para jantar nos restaurantes da moda, engalanados com as melhores roupinhas e com pontualidade irrepreensível. A cereja no topo do bolo são, obviamente, as respostas a todas as mensagens e os telefonemas atendidos ao primeiro toque. Tudo isto iluminado por uma constante alegria de viver, que enjoa quem quer que passe por perto.

Mas quem é que no perfeito juízo acredita que um gajo, qualquer gajo que seja, mesmo que aposte a vida nisso, consegue manter o ritmo dias e dias a fio, sem quebrar ou falhar? Nem que seja por motivos práticos, porque, salvo a estatisticamente improvável hipótese de se tratar do herdeiro de uma grande fortuna, é previsível que o tipo tenha de trabalhar e certamente terá um orçamento finito.

Elas pagam na mesma moeda. Superproduções, nem que seja só para tomar um café na esquina, interesse por carros, motas, futebol, bilhar, sameirinha, berlinde, corridas de pigmeus montados em tartarugas, o que quer que seja para deixar a mensagem “sim, eu partilho os teus interesses". Pontualidade também irrepreensível, entenda-se cinco minutos de espera, que é para o gajo não pensar que estava colada à porta e um sorriso de orelha a orelha, ao vivo, ao telefone ou por mensagem. Sim, está tudo perfeito, o mundo é cor de rosa.

Qualquer imbecil que saiba somar um mais um, consegue perceber que o guarda roupa dela é finito e que lá para o, digamos, sexagésimo encontro, é previsível que a roupa se comece a repetir. Mas não, lá começa a malta a embirrar que antigamente é que era e que agora ela já não se preocupa puto com o que veste. E é só a ponta do icebergue, porque depois começam as tangas com a alimentação, estás mais gorda, mais magra e isto e aquilo.

Convém lembrar que esta treta toda começou com os gajos a ir à caça e elas a tomar conta do estaminé. Ele provia, ela organizava. Só no século XX é que se verificaram alterações significativas dos papéis do homem e da mulher na sociedade, com repercussões na forma como racionalizamos as relações, mas não necessariamente as sentimos, muito menos as intuímos. Quem acreditar que basta um século para mudar mecanismos emocionais e comportamentais desenvolvidos ao longo de milhões de anos está a preparar-se para uma desilusão. O que procuramos não é necessariamente o que precisamos e o que estamos disponíveis para dar não é necessariamente o que devíamos. E é assim que se instala a confusão, porque ninguém sabe o seu papel e anda tudo à procura de príncipes e princesas que, obviamente, se não quisermos ver, não existem. É lá aquela coisa da "bondade nos olhos de quem vê".

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Dá-se alvissaras

Cá por casa há uma diferença de opinião que não tarda nada só pode ser resolvida com a intervenção dos Capacetes Azuis da ONU. Haverá por aí uma alma caridosa que me explique porque é que querer fazer uma coisa por alguém, porque essa pessoa quer ou precisa, vale menos do que o fazer porque simplesmente nos apetece? Um dos gestos é mais nobre do que o outro?

sábado, 26 de janeiro de 2013

O amor não escolhe idade e pelos visto o ódio também não

Ontem, eu e a Outra Metade resolvemos fazer um jantar mais aprimorado. Fazer é como quem diz, porque não fazemos a mínima ideia de quem o fez, jantamos fora, por acaso no restaurante onde a levei a primeira vez, que até é bem catita, não fosse o caso de ser frequentado por malta que em média deve ter o dobro da idade dela. Adiante, calhou-nos uma mesa exatamente ao lado da que ficamos da primeira vez, desta vez ocupada por um casal de idosos, na casa dos seus setenta anos, o que me pareceu enternecedor e até profético.

Acontece que a dada altura comecei a estranhar o silêncio na mesa deles. Lá pensei "bem, ao fim de tantos anos se calhar já não têm nada para dizer". A coisa foi andando, nós estávamos animaditos, até que ouvi "eu não preciso do seu dinheiro. Era o que mais faltava, agora tenho muito mais dinheiro do que você". Como não ouvi claramente, dei espaço a que tivesse ouvido mal, até que ela diz "porque o único homem que amei foi o XXXX, que me enchia de carinho e era um amante ferveroso. Pena só lhe ter dito que gostava dele, quando ele já estava casado há muito tempo". Por pouco a Outra Metade não ficou coberta com o folhado de bacalhau que eu mastigava satisfeitíssimo da vida.

A partir daqui foi sempre a descer para ele, a subir para nós, que tivemos direito a jantar com espetáculo, pelo mesmo preço. É que a coisa teve detalhes do género "pois porque você dava tudo à sua mulher, não admira que ela o chamasse paizinho", "quantas amantes teve?", "e a esta também lhe dá tudo", "agora não tem nada, até teve de vender o Porsche". Concluindo, ainda estou para saber se a senhora era a mulher despeitada, a amante despeitada, a irmã invejosa ou um engate na terceira idade.

Lamentavelmente não sei o que o tipo estaria a pensar, porque ele efetivamente não dava troco. Suponho que a coisa girava entre "fala para aí, que as memórias ninguém mas tira" ou "fui um burro do caraças, não precisava de estar agora nesta situação". Por outro lado, podia também ser "nunca mais te calas, para te levar a casa, que brasileira já está à minha espera com o champanhe a gelar".

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Sobre o STP

Fechando o tópico TPM e para quem discorre sobre ele como se não houvesse amanhã, que nós devíamos isto e aquilo, gostava lembrar uma coisa em jeito de apelo - nós não temos TPM e nunca a vamos perceber, porque para além das normais mudanças no humor, o do dia anterior é quase sempre mais ou menos igual ao do dia seguinte.

Por isso, assim como os veteranos de guerra se atiram para o chão sempre que ouvem um estouro ou desatam a gritar "eles vêm aí" à passagem de um helicóptero, também nós vivemos em Stress Pós Traumático. Que dia é hoje? Mas será que já chegou? Donde é que veio isto? Tenta lembrar-te do que fizeste para estares a ter esta conversa. Tudo isto no meio de um ataque de pânico e suores frios, enquanto o cérebro raciocina a velocidades alucinantes em busca de uma fuga para a cilada em que nos apanharam.

Para o caso de não me estar a fazer entender, chamo a atenção para o seguinte: há gajos que escolhem fazer uma ou mais comissões de serviço de 12 meses na Bósnia a procurar e desarmar minas antipessoais.

Sobre a TPM


Ultimamente reparo que a blogosfera, especialmente a feminina, tem-se fartado de tecer considerandos sobre a TPM e  como é que um gajo a deve enfrentar.

A mim ninguém me tira da cabeça que isso é outra tanga, na linha dos desejos de grávida. Vocês sabem que nunca o vamos poder provar e, contrariamente ao habitual em tudo o resto,  neste caso são coesas e coerentes na história que nos impingem. Em todo o caso, não sei se repararam mas o "P" é de "pré", por isso era bom que depois da coisa começar não a usassem como pretexto para tudo.

A verdade é que um tipo não tem a mínima hipótese. Pode ser o namorado ou marido mais espetacular do mundo, esticar-se o dia todo para antecipar o que ela quer ou nem sabe que precisa, tratar de tudo o que tenha a ver com a casa, cobri-la de carinho e atenção que, quando menos espera, provavelmente já deitado e prestes a adormecer, vai ouvir uns suspiros seguidos de um choro abafado. Se cai na asneira de não fazer de conta que já adormeceu e pergunta "o que foi, estás a sentir dores?", vai ouvir "tu já não gostas de mim, porque há três meses não te lembraste que fazia doze anos que a cadelinha dos meus tios de Viseu morreu!".

E é isto, para quando os grupos de apoio anónimos?

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

There but for the grace of God, go I

Quantas vezes é que um gajo está a olhar para a televisão e se esquece que não está a ver um filme, mas a vida de alguém?


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Testes de compatibilidade de casais

Nunca consigo ler mais do que algumas linhas daqueles testes de compatibilidade entre casais, que aparecem nas revistas de gajas (eu sei, eu sei, se são revistas de gajas eu nem devia chegar perto, mas isso tem a ver com  a propensão para o risco, um gajo senta-se no sofá, elas estão ali à mão e quando dá por ela, já o mal está feito). Ao fim da terceira linha começo a emitir atestados de imbecilidade para todas as mulheres com mais de 15 anos que os leem. E, mesmo as menores de 15, só compreendo porque é gente em formação e aquilo aparece-lhes no meio da Ragazza, enquanto estão a aprender a "fazer" sobrancelhas... Agora uma mulher adulta? Está-se mesmo a ver que uma relação se pode resumir a meia dúzia de itens, não está? Começam a analisar comportamentos de forma descontextualizada e é óbvio que dá merda!

E o mais importante nunca virá numa revista, porque obviamente varia de pessoa para pessoa. Eu, por exemplo, quando comecei a sair com a Outra Metade, um domingo de manhã enviei-lhe um SMS que dizia "se um tipo está a tirar macacos do nariz e não lhe apetece levantar da cama para os deitar fora, o que é que faz?". Como na volta só veio um smile, tive imediatamente a certeza que era Game On.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Amor é...

"Ficas tão bonito com o céu da boca cheio de pasta de dentes!"

A Outra Metade, 10 de outubro de 2012

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Cafuné... Como não fazer!

Fugindo da habitual linha editorial, que basicamente se resume a dizer mal do governo (aproveitando desde já para agradecer a existência desses f*** da p***, porque caso contrário não tinha nada para escrever), vou desviar-me para um assunto pessoal.

Alguém me explica, de forma credível, porque é que sou perfeitamente capaz de estar entretido durante 15 minutos a fazer cafuné e mimos à outra metade e, no final, quando ela está completamente relaxada, não resisto a cravar-lhe os dedos das duas mãos nas ancas, despoletando um espetacular salto encarpado, que acaba com ela a tremer pendurada pelas pontas dos dedos no candeeiro por cima da cama? É que com esta brincadeira, nas últimas massagens tem estado em permanente vigilância e rígida como uma tábua, pelo que o "momento" acaba por ser assim um tudo nada para o fútil!