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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Halloween

Ora bem, este foi o quinto Halloween que passei na minha casa e, finalmente, desta vez já não fui apanhado desprevenido. É que em outubro de 2009, dois meses depois de me ter mudado, estava eu descansado a ver televisão, quando por volta das nove e meia ouvi uma algazarra tremenda, urros e guincho lancinantes vindos do hall das escadas. Entrei em pânico e o meu cérebro desligou-se. Desligou-se o cérebro, a televisão, as luzes, tudo. Fiquei ali imóvel e em silêncio, à espera que aqueles espíritos malignos se afastassem sem me fazerem mal. Por uma razão ou outra, nunca antecipada, a coisa repetiu-se nos três anos seguintes, sendo que no ano passado os sacanas dos espíritos se atreveram a deixar pedacitos de papel higiénico à nossa porta.

Este ano resolvi tomar o assunto em mãos, entenda-se nas mãos da Outra Metade e, quando ouvi a chinfrineira, empurrei-a para a porta. Quando a abriu, foi confrontada com quinze pigmeus ou anõezitos, à volta dos seis anos, mascarados de esqueletos, bruxos e bruxas, que a ameaçaram com a frase “doçura ou travessura. Enfim, acabaram por levar os meus mini mars e foram assombrar outro apartamento. Para nosso espanto, passada uma hora, lá voltamos a ouvir as mesmas vozitas do além. A Outra Metade voltou a arriscar espreitar e deparou-se com uma comitiva mais pequena da mesma tribo. Vocês outra vez? Nós somos outros, disseram eles. Naquela idade devem pensar que a máscara os torna irreconhecíveis, tipo gato escondido com rabo fora, porque realmente eram os mesmos sacanitas, satisfeitos da vida por andarem sozinhos pelo condomínio a sacar doces a toda a gente.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Relógio biológico

No fim de semana passado tive uma reunião de família. Daquelas à séria, em que participam mais de cem pessoas e em que não fazemos a  mínima ideia de quem é mais de metade do pessoal. A coisa foi bem engraçada e fartei-me de ouvi falar com saudade do meu pai, o que é sempre bom.

Mas o que me traz aqui é outro assunto, a sacramental pergunta "e filhos?", que me permitiu chegar a uma conclusão reconfortante. É que se há alguns anos eu lia nos olhares dos interlocutores reprovação e balbuciava em resposta qualquer coisa na linha do "sabes como é, ainda não estão reunidas as condições...", à medida que o tempo passa, o que aqueles olhos me transmitem é inveja, ao estilo "filho da p..., como é? A malta aguenta com isto e tu queres andar ai no bem  bom e vir depois sacar-lhes a reforma?".