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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Sobre a delicadeza

Regra geral, vá-se lá saber porquê, não sou tido por um gajo delicado. Sim, não uso boxers com rendas, nem cremes para isto e para aquilo, mas não era bem a isso que me referia. Digamos que me falta algum filtro e, não sendo propriamente inconveniente, volta e meia lá me sai um comentário um bocadinho mais acutilante ou menos consensual. 

É mais ou menos nesse espirito, e até nem me parece que seja o pior exemplo, que quando uma conhecida já deu ou está para dar à luz, só para provocar, costumo perguntar se já rebentou. Pergunto às amigas e colegas e, obviamente, sou recebido com um coro de protestos, que normalmente começa por longos "ohhhhhh". Lá aquilo do é um momento tão bonito, único na vida de uma mulher, cria-se um laço para a vida, vocês os homens não conseguem perceber, e tretas dentro da mesma linha.

Acontece que quando falo com amigas que já, hmmmm... pariram(?) há muito tempo, sou confrontado com a realidade da história e todos os mitos vão para o galheiro, em troca de: não me apanham nessa merda outra vez; p*** que pariu as dores de costas e de parto; não tive uma noite decente desde os quatro meses;etc., etc. É mais ou menos como o mito das viagens de núpcias às Maldivas. Logo após a viagem, que sim, que é muito bonito, espetacular, o melhor sítio onde foram. Passados dois anos, que ideia estúpida, não se passa nada, só se faz praia, não há uma porra de uma laranja ou maçã em todo o país. Sendo assim, suponho que toda esta treta está na linha dos desejos de gravidez ou da TPM como pretexto para uma vez por mês nos lixarem a cabeça com tudo aquilo que normalmente não têm coragem para dizer e reprimem.

A verdade é que, para momento único, tenho bem a impressão que são os pais quem sai a ganhar, porque enquanto a mãe está meia atordoada pelo esforço e dores, a maioria das vezes ainda sobre o efeito da anestesia, os pais estão totalmente conscientes no momento em que pegam pela primeira vez nos filhos. E deixem-me dizer que sim, a expressão que lhes fica gravada na cara realmente mostra que aquele é um momento único na vida.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Relógio biológico

No fim de semana passado tive uma reunião de família. Daquelas à séria, em que participam mais de cem pessoas e em que não fazemos a  mínima ideia de quem é mais de metade do pessoal. A coisa foi bem engraçada e fartei-me de ouvi falar com saudade do meu pai, o que é sempre bom.

Mas o que me traz aqui é outro assunto, a sacramental pergunta "e filhos?", que me permitiu chegar a uma conclusão reconfortante. É que se há alguns anos eu lia nos olhares dos interlocutores reprovação e balbuciava em resposta qualquer coisa na linha do "sabes como é, ainda não estão reunidas as condições...", à medida que o tempo passa, o que aqueles olhos me transmitem é inveja, ao estilo "filho da p..., como é? A malta aguenta com isto e tu queres andar ai no bem  bom e vir depois sacar-lhes a reforma?".

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Portugal torna-se o quinto país a aprovar co-adopção por casais homossexuais

In Público

Portugal, um país à frente do seu tempo, na primeira linha da modernidade... Ou não, porque esta lei não passa de uma hipocrisia, ao estilo, se não podes vencê-los, junta-te a eles. 

Os serviços de adoção nunca impediram que homossexuais adotassem crianças individualmente, que acabavam por ser integradas em famílias, pelo que agora apenas se está a legalizar uma situação de facto. O que leva os deputados a não permitirem a adoção por casais homossexuais é e continuará a ser um mistério.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Multidão protesta contra o casamento homossexual em Paris

In Público

Pessoalmente e no que respeita ao casamento homossexual, estou-me a borrifar. Já na questão da adoção, não alinho tão facilmente. Suponho que se há países com leis que o permitem, é porque existem estudos sobre o impacto destas estruturas familiares no crescimento das crianças. E não, não estou a insinuar que as possam comer ao pequeno almoço (ou a qualquer hora), mas gostava que houvesse mais informação sobre o assunto. De qualquer modo é uma lei mais ou menos fútil, porque apenas vem regular o poder paternal, dado que se não houver casamento, não impede que uma das pessoas adote como solteiro.

Mas com uma destas é que eu já não contava. Então não é que a malta que não tem nada a ganhar diretamente com a coisa, também se consegue mobilizar para manifestar o seu ponto de vista. Se trezentos mil se dão ao trabalho de vir à rua, é de acreditar que em casa estarão muitos mais. E então, se a lei serve para regular as práticas aceites pela sociedade, em que ficamos?

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

As crianças são o melhor do mundo...

... e como tal, há muitos anos institui que no Natal ofereço prendas porreiras aos filhos dos meus primos, mas nada aos ditos primos, sob o raciocínio "eu gasto uma porrada de dinheiro com os vossos fedelhos, por isso nada de reclamar". Os pais dos fedelhos retribuíam com prendas simpáticas e adequadas.

Com os primeiros arremedos da crise no ano passado lixei-me. Apareceu uma alma peregrina a sugerir só se dar prendas às crianças e é evidente que o resto da malta agarrou logo a ideia. Eu aguentei estóica e firmemente, porque a Outra metade a Mãe e Irmão não alinharam na brincadeira. Acontece que este ano lá voltaram com a mesma conversa e agora já não estou a achar piada nenhuma. E a criança que há em mim, quem a mima?

Neste momento estão em cima da mesa três opções: dar um pacote de sugos a cada rebento (mesmo aos que têm 15 anos) a ver se os pais percebem a mensagem (sabes, a crise é para todos); pedir prendas para os meus futuros filhos; anunciar que estamos grávidos, mesmo não estando. E é isto o espírito de Natal não é? Dar e receber!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A terceira idade

Uma das coisas que me deixa mesmo lixado é ver velhinhos a mendigar!

Esses sacanas não podem deixar as ruas para quem realmente precisa? Não podem ficar em casa dos filhos, aconchegados no  calor da sala, sentadinhos no sofá, enquanto brincam com os netos? Ou ir lanchar com os amigos a uma pastelaria qualquer e partilhar histórias de quando trabalhavam para colher os frutos desse esforço? Porque é que não ficam nas suas casas, que certamente são bem melhores que as nossas, que isto dantes é que era bom e de certeza se fartaram de ganhar dinheiro? E porque é que não pegam nesse dinheiro e pagam a alguém para cuidar deles ou vão para lares em condições onde são tratados com dignidade?

Não, só para nos lixar, esses estupores andam pelas ruas frias, magrinhos e mal agasalhados, às vezes quase sem forças para se manterem de pé, enquanto estendem a mão e nos pedem uma moeda. Uma moeda? Vocês não têm vergonha? E o que é que eu dou ao cabrão do arrumador que precisa de dinheiro para se chutar?

A sério, não suporto ver velhinhos a mendigar!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Plano Poupança H...

Volta e meia rodopia à minha volta um gnomo, de cabelito loiro e olhos azuis, com mais ou menos um metro  de altura e dois anos de idade, que chama papá ao meu irmão. Eu, que sou um gajo previdente, resolvi fazer um PPH mal soube que o tipo estava encomendado. Um PPH, é como um plano poupança reforma, mas em versão infantil e faz-se junto às caixas dos supermercados, metendo de vez em quando um HotWheels no meio das compras. A coisa vai acumulando, até o beneficiário ter idade para resgatar os carrinhos.

Agora que o sacanita já sabe o quer e pode ser comprado com prendas, comecei a dar-lhe os carrinhos em unidoses, que é para esticar a coisa durante dois anos e ir criando dependência. Mas a questão é que sempre que lhe quero oferecer um, fico olhar para a coleção com a sensação que me estão a arrancar um braço. Suponho que é aquela coisa da criança que há dentro de cada homem (não confundir com o homem dentro de cada criança, que essa merda dá cadeia) e que nos leva a olhar para uma caixa de Legos com tanta excitação como as mulheres olham para uma carteira Louis Vuitton ou até um anel de noivado.