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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O Porto é uma nação

Sempre senti que vivo numa cidade especial. Frequentemente, mais do que gostaria, essa especialidade é por contraposição e resulta da inveja relativamente à capital. Não é fácil ser a segunda maior cidade do país, o filho mais novo que também quer chegar a casa depois da meia noite, mas não o deixam. O Porto, cidade, passa parte da sua vida a lamentar-se que também podia ser isto ou aquilo, mas a capital não quer, o poder não deixa, o dinheiro não vem.

Esta circunstância, aliada a proveniência da população, nativa ou vinda do norte, Trás-os-Montes e Alto Douro, gente dura e orgulhosa, que prefere quebrar a torcer, tornou-nos combativos e capazes de nos suplantar perante a adversidade. E é assim que por vezes, felizmente muitas, acontece qualquer coisa que nos lembra que realmente somos especiais. O Porto, clube, para isso muito contribui, corporizando esse espírito e demonstrando época após época que podemos ser donos do nosso destino e conquistar o mundo. Depois, há as pequenas coisas, aqueles sinais de irreverência e altivez, como a rejeição dos parques pagos nos centros comerciais.

É por isso com orgulho que vejo a eleição do Rui Moreira para presidente da câmara. Não tanto por estar certo que vá ser um excelente presidente, mas porque os partidos não nos apresentaram candidatos aceitáves, um também ele uma incógnita, o outro a certeza do descalabro, pelo que a cidade tomou nas suas mãos o seu destino, gerando e elegendo a solução. Bibó Puorto!

domingo, 29 de setembro de 2013

Votar, mais do que um direito, é um dever cívico...

... e não há nada como o cumprir, estacionando em cima da passadeira e do passeio.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Grândola vila morena

Uma das conquistas de abril (imaginar dedos no ar em forma de aspas) é a obrigação do estado assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito (imaginar gargalhada). Lamentavelmente, talvez por falta de visão, os pais da nossa constituição não previram nada quanto à obrigação do estado assegurar o acesso universal, obrigatório e gratuito a consolas de jogos, uma para casa e outra portátil, sapatilhas de marca, telemóveis de última geração, óculos de sol iguais aos do CR7, últimos modelitos da moda e canais de televisão de desporto pagos. Vai daí, os pais das nossas crianças ficam justamente indignados por, em cima disto tudo, ainda terem de pagar os manuais escolares dos filhos, uma porcaria que se gasta num ano e, vejam lá, não serve para mostrar a ninguém.

terça-feira, 4 de junho de 2013

É uma questão de igualdade: em Nova Iorque as mulheres podem fazer topless em Central Park ou qualquer ponto da cidade

In Público

Enquanto isso, no Parque da Cidade do Porto, nada! Se não é para usar as infraestruturas que temos de nível internacional, como os internacionais usam, então que se lixe. Mais vale usar os terrenos para construir casas de luxo frente ao mar. Sempre se pode dar o caso de uma das proprietárias resolver ir apanhar sol para varanda de forma mais cosmopolita.

Em todo o caso, a notícia gira parcialmente em torno de uma "artista" que pelos vistos se dedica a passear pela cidade ou a participar em manifestações em topless. Ora se o topless é uma forma de intervenção artística contra os costumes, caso contrário seria só mais uma palerma a circular pela cidade meia despida, porque raio há-de ser permitido? Repare-se que isto sou eu a fazer de advogado do diabo, até mais porque a dita artista não deixa de me fazer recordar a Maria Teresa Horta.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Competência, uma epifania

Graças ao Mak, finalmente encontrei a explicação para algo que me deixa sempre perplexo. O caso é que sempre me fez confusão ver alguns imbecis desatarem a falar durante uma reunião e ser atormentado pela dúvida se os gajos só têm lata e se estão a borrifar para o que pensamos ou simplesmente não têm a noção das barbaridades que estão a dizer. E não, não estou a falar das reformulações positivas, ao estilo "então o Sr. Eng. acha que devemos ir por aqui. Muito bem, genial, certamente vai ser espetacular!". Não! Estou a falar daquela malta que arranca a falar e passados dez minutos começamos a olhar para a agenda da reunião, na dúvida se entramos no gabinete errado.

É que quase no final do vídeo, o John Cleese diz uma frase absolutamente esclarecedora, que vou traduzir livremente para: 
"A maior parte das pessoas que é totalmente incompetente a fazer algo, não tem os conhecimentos necessários para perceber que está a ser totalmente incompetente no que está a fazer."
E esta inconsciência, meus caros, pela qual afinal de contas não os podemos culpar, finalmente explica porque é que as minhas reuniões de uma hora normalmente duram três...

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Das sociedades e das nações

À medida que o fim se aproxima, do dinheiro, entenda-se, vou-me dando a reflexões sobre a razão porque alguns povos prevalecem ou até prosperam e outros, particularmente o nosso, saltam de crise em crise, perdendo pelo caminho a autoestima, o orgulho nacional e o respeito das outras nações.

Existem povos a quem se dá uma instrução e os tipos executam-na infalivelmente, seja limpar o chão de uma sala, construir um automóvel de fiabilidade a toda a prova ou exterminar seis milhões de pessoas. Basta alguém que mande lá no sítio dar a ordem, que os tipos começam por definir a melhor forma de fazer e depois implementam aquilo religiosamente, sem as mínimas reservas. Faz-se porque alguém mandou e já que é para fazer, então que se faça bem, porque não estão para perder tempo com palermices. Aliás, é notória a sua falta de humor.

Temos os outros que o fazem quase por vocação ou missão. Aqueles que se encontram um problema num processo, param tudo até que a coisa fica esclarecida e consideram uma vergonha pessoal e do grupo produzir um resultado pior que óptimo. Talvez não por coincidência, são também aqueles a quem alguém diz “meta-se neste avião e atire-se contra aquele navio de guerra” e os tipos lá vão. Se falham, tratam de se suicidar imediatamente, que é para ninguém dizer que foi por falta de empenho.

Estranhamente, andam por aí outros que também se explodem por dá cá aquela palha, mas não têm o mesmo empenho para fazer seja o que for e vivem à conta da caridade dos povos irmãos. Eventualmente, são também os povos irmãos que os mantêm dependentes, mas isso são contas de outro rosário, ou lá o que é que os tipos seguram enquanto rezam.

Por fim, temo-nos a nós, o que começa a ser uma chatice, porque já nem nós temos paciência para nos aturar. Por aqui a coisa é diferente e obedece à resposta a três perguntas: o que é que eu tenho a ganhar com isso? Quem é que posso lixar no percurso? E, há maneira de o fazer sem me chatear? Vai daí ninguém, nos quer emprestar um tusto. É que é muito bonito dizer que a Alemanha é o que é porque o mundo lhe perdoou as dívidas de guerra, mas alguém acredita que eramos capazes de fazer o mesmo em iguais circunstâncias? Quanto tempo é que demoraríamos a meter-nos na mesma alhada se nos perdoassem a nossa dívida?

segunda-feira, 25 de março de 2013

Multidão protesta contra o casamento homossexual em Paris

In Público

Pessoalmente e no que respeita ao casamento homossexual, estou-me a borrifar. Já na questão da adoção, não alinho tão facilmente. Suponho que se há países com leis que o permitem, é porque existem estudos sobre o impacto destas estruturas familiares no crescimento das crianças. E não, não estou a insinuar que as possam comer ao pequeno almoço (ou a qualquer hora), mas gostava que houvesse mais informação sobre o assunto. De qualquer modo é uma lei mais ou menos fútil, porque apenas vem regular o poder paternal, dado que se não houver casamento, não impede que uma das pessoas adote como solteiro.

Mas com uma destas é que eu já não contava. Então não é que a malta que não tem nada a ganhar diretamente com a coisa, também se consegue mobilizar para manifestar o seu ponto de vista. Se trezentos mil se dão ao trabalho de vir à rua, é de acreditar que em casa estarão muitos mais. E então, se a lei serve para regular as práticas aceites pela sociedade, em que ficamos?