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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Competência, uma epifania

Graças ao Mak, finalmente encontrei a explicação para algo que me deixa sempre perplexo. O caso é que sempre me fez confusão ver alguns imbecis desatarem a falar durante uma reunião e ser atormentado pela dúvida se os gajos só têm lata e se estão a borrifar para o que pensamos ou simplesmente não têm a noção das barbaridades que estão a dizer. E não, não estou a falar das reformulações positivas, ao estilo "então o Sr. Eng. acha que devemos ir por aqui. Muito bem, genial, certamente vai ser espetacular!". Não! Estou a falar daquela malta que arranca a falar e passados dez minutos começamos a olhar para a agenda da reunião, na dúvida se entramos no gabinete errado.

É que quase no final do vídeo, o John Cleese diz uma frase absolutamente esclarecedora, que vou traduzir livremente para: 
"A maior parte das pessoas que é totalmente incompetente a fazer algo, não tem os conhecimentos necessários para perceber que está a ser totalmente incompetente no que está a fazer."
E esta inconsciência, meus caros, pela qual afinal de contas não os podemos culpar, finalmente explica porque é que as minhas reuniões de uma hora normalmente duram três...

sábado, 18 de maio de 2013

Para memória futura

Durante a semana que passou estive a fazer entrevistas de recrutamento. Como sempre, fui confrontado com uma amostra da população portuguesa, aqui abordada em jeito de fábula

A toupeira, que começou o ensino superior, desistiu, mudou várias vezes de emprego e passados dez anos, está outra vez no ensino superior (e pelos vistos não está a correr bem). Não faz a mínima ideia para onde vai, aliás fiquei com a impressão que nem de onde vem, mas está à espera que um empregador acredite nela, sei lá eu porquê.

O grilo, esforçado e que já mudou de cidade várias vezes, sempre na procura de melhores oportunidades, mas que tinha  a insuportável caraterística de ter opinião sobre tudo, que fazia questão de partilhar e que pura e simplesmente não se calou durante toda a entrevista. E quando eu digo não se calou, quero dizer que quase não me lembro de ter feito perguntas.

A formiga, que começou a trabalhar ainda não tinha acabado o secundário e que tem procurado oportunidades profissionais que consolidem o seu percurso e competências. Sabia qual era o papel que se esperava representasse e esforçou-se para o conseguir

A cigarra, uma tipa que até nem era nada burra, não se desse o caso de ter apostado com igual peso e medida na competência e no charme. Estava claramente convencida que para ser contratada bastava menear a cabeça, fazer beicinho e passar as mãos pelo cabelo e, aparentemente, em momento algum lhe ocorreu que ninguém minimamente lúcido está interessado em meter na empresa uma gaja que vai de certeza  confundir os moços e arranjar confusão com o mulherio.

Sendo assim, cientificamente concluo que setenta e cinco porcento da população portuguesa não faz ideia do que quer ou é esperado dela em termos profissionais. E isto até nem me chateava por ai além, não fosse a forte probabilidade de frequentemente ser atendido por um deles.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Funcionários públicos dispensados

Esta coisa de despedir alguém dizendo que se vai dispensá-lo é um eufemismo espetacular. Eventualmente espetacular não será a melhor palavra para o descrever, talvez cobarde fique melhor. A verdade é que, nem que seja para variar, nesta coisa até nem estamos sozinhos e o conceito é utilizado também na língua inglesa, com um ainda mais torpe let you go.

Sobre isto, há uns anos cruzei-me com um sketch delirante entre um diretor de recursos humanos e o funcionário:
- Sr. Santos, vamos ter de o dispensar.
- Mas, mas... Eu não pedi nada.
- Seja como for vamos ter de o deixar ir.
- Ó seutôr, eu estou bem e gosto muito de cá estar.
- Sim, mas vamos ter de o libertar.
- Deixe estar, que eu não quero.
...

segunda-feira, 11 de março de 2013

Ataraxia

(Ἀταραξία "tranquilidade") é um termo grego usado por Pirro e Epicuro para um estado mental caracterizado pela ausência de preocupação, acompanhada de lucidez (in Wikipedia).

No fundo isto deve ser mais ou menos parecido com aquela coisa de não sentir dor nas extremidades do corpo, mas mais conveniente, porque durante o dia é bem mais provável cruzar-me com alguns imbecis incompetentes, do que queimar-me num tacho ou em água a ferver. Mas isto sou eu que, convém notar, não sou cozinheiro.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Povo que não se governa nem se deixa governar

Aqui há uns dias a Luna dizia no seu blog que não estava preparada para chefiar. Como habitualmente, os comentários foram para todos os gostos, desde o louvor pelo auto conhecimento, que subscrevo, passando pelos que se reviam em iguais circunstâncias ou sem qualquer ambição, até aos descontentes com a incompetência dos seus chefes.

Os últimos irritam-me solenemente, porque frequentemente estão convencidos que o chefe está lá para mandar fazer (os outros) e, mais estranho ainda, que o chefe também deve saber fazer. Talvez não por coincidência, mas de qualquer modo por razões para mim ainda indecifráveis, normalmente são também os que não têm qualquer capacidade de auto crítica e nas entrevistas de avaliação dividem o tempo entre culpar meio mundo por tudo o que lhes correu mal e a elogiarem-se por fazerem aquilo para o que afinal de contas foram contratados.

Pela minha parte, estou cada vez mais convencido que liderar é essencialmente motivar e levar as pessoas a transcenderem-se, alcançando o que lhes parecia inatingível e por isso não tenho grande paciência para as carpideiras. Vai daí, sempre que me colocam um problema, invariavelmente a resposta é um liminar "qual é a sua opinião?". Depois do arranque, a coisa resolve-se contrapondo a cada resposta um porquê, até chegarem à solução. Afinal de contas são eles os especialistas, estão a ser pagos, porque raio vou ser eu a pensar por eles e fazer-lhes o trabalho?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Produtividade nacional

Numa análise estatisticamente irrelevante e totalmente leviana, aparentemente às segundas e terças ninguém faz puto no emprego. É que a avaliar pelo padrão das visitas, vocês aparecem no início da semana e só lá para quarta-feira é que se começam a render à evidência que fazer de conta que se está a trabalhar implica mais ou menos o mesmo esforço que efetivamente trabalhar.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O dom da palavra...


Na empresa temos um gajo que está convencido que é um grande comunicador, daquelas pessoas que quando está a contar uma história em vez de dizer “ele disse isto e aquilo”, encena as situações e faz as vozes das diferentes personagens. Até aqui tudo bem, embora este tipo de discurso tenda a tornar as conversas mais longas.

O que é mesmo desconcertante, é que por vezes as personagens parecem ganhar vida própria e começam a falar umas com as outras, enquanto a malta, incluindo ele, assiste sem saber o que fazer.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Empresas oferecem serviços a instituições de solidariedade social de Viana

In Público

Primeiro foi a malta de Silves, agora a de Viana, estes tipos estão a cercar-nos por todos os lados. Lá se vão as desculpas para não fazer voluntariado ou oferecer coisas à borla. E é isto, os políticos fazem o que os políticos sempre fazem (se fui demasiado criptográfico, estouram com o país) e a malta começa a sacar coelhos da cartola e a mostrar que afinal até somos espetaculares.

O chato é que não deixo de ficar com um travozinho amargo, a sensação de que não tarda nada isto já só  vai funcionar na base da troca direta. Não é que eu seja contra o sistema em si mesmo, que na verdade me parece castiço (porventura menos prático quando se trata da compra de casas ou carros). Acontece é que orientei a minha vida para fazer o mínimo possível (vestir-me, atar os atacadores, fazer uma omoleta e pouco mais), pelo que na lógica da sobrevivência dos mais aptos, quando isto mudar estou lixado. Eu e os gajos que passam a vida a tocar jambé.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Greve Geral

Queria aqui deixar o meu agradecimento às centrais sindicais pelo seu contributo tão decisivo para a recuperação do país. Louvo em especial o seu brilhantismo, pela coerência estratégica, ao aplicarem sempre, infalivelmente sempre, a mesma forma de luta, que tão bons resultados deu no passado.

É que eu sou gestor de empresas há alguns anos e, certamente por estupidez, neste tempo todo nunca me tinha ocorrido que a melhor forma de fazer uma empresa crescer fosse pará-la. Mas, se para recuperar a economia de um país uma greve geral resulta, seguramente também deve resultar lá na empresa. Amanhã digo à malta para não aparecer a próxima semana toda. É que se é para crescer, é para ser em grande...

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A educação fica sempre bem...

Passo mais ou menos por isto todos os dias de manhã. Por um azar do caraças, depois das últimas alterações na empresa, o meu posto de trabalho acabou por ficar numa zona de elevado tráfego de pessoas. Em todo o caso e justiça lhes seja feita, ainda não houve nenhum engraçado se lembrasse do my Lord e a coisa limita-se ao cordial bom dia. Já eu, confesso que por volta do septuagésimo bom dia uma vez ou outra sussurrei entre dentes um libertador "e se te fosses fod**!".

domingo, 4 de novembro de 2012

Têxteis portugueses querem vestir a China, ou pelo menos parte dela

In Público

Nem sei por onde começar. Suponho que por um agradecimento ao Público, que claramente tem um Editor de títulos que se diverte à grande. Já sobre a notícia em si mesma, em 1986 Portugal entrou na CEE e a malta dos têxteis e calçado entrou em delírio. Parece que se convenceram que a Europa nem sabia o que a esperava e que a coisa ia ser tipo a Blitzkrieg do Hitler, porque de um momento para o outro iam forrar o continente com roupa e sapatos portugueses. De volta a 2012, anda por aí um gajo que se chama Amancio Ortega que deve chorar a rir sempre que se lembra disto.
Gajo espanhol muito rico
Eu sei, olhando para a cara dele ninguém diria que o tipo é capaz de rir. Mas é. Só que é daqueles gajos que se ri às gargalhadas e rola pelo chão dentro da cabeça, sem mexer um músculo da cara.

Bom, voltando ao que interessa, aparentemente a malta cá do Condado (estou a habituar-me à ideia) esqueceu-se de três pequenos pormenores: design; preço; qualidade adequada aos dois anteriores. Em todo o caso, para muitos nem correu mal, porque havia lá aquela coisa de subsídios para equipamento e formação e ninguém pode negar que um Ferrari, um Porsche ou um iate são equipamento ou que a melhor forma de aprender é viajar.

Como agora os subsídios já eram e a economia está toda lixada, parece que estão convencidos que por falarem chinês a coisa vai correr melhor. Em todo o caso, não me sai da cabeça que por estes dias o Ortega deve andar ainda mais bem disposto.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Gestão de reuniões para totós...

Gosto dos livros de espionagem do Daniel Silva. E gosto particularmente da personagem principal, o  Gabriel Allon, um espião da Mossad, crente fervoroso naquela coisa do "olho por olho, dente por dente",  que passa a vida a envenenar mortalmente os inimigos com chumbo. Onde leem envenar, devem ler cravejar de balas.


É que a vida na empresa seria tão mais simples assim e, lamentavelmente, esta semana tem propensão para se complicar exponencialmente. Todas as técnicas para gestão de reuniões e mediação de conflitos começam a parecer-me curtas e estou mais ou menos convencido que era capaz de ajudar se me pudesse sentar no topo da mesa de reuniões e pousasse um revólver do lado esquerdo (é, para os mais atentos sou canhoto). Enfim, nunca mais é sexta...