sábado, 3 de novembro de 2012

Um conto de Natal

Este Natal, em vez de trocarmos prendas com a família e os amigos, pegamos no dinheiro e oferecemos ao país. Está aí alguém? Psst? Sim, vocês aí, parem de rir. Então, vamos lá, só um bocadinho de atenção.

Em 2011 o país tinha 10 531 614 habitantes. Destes, 1 572 546 tinham menos de 16 anos, por isso será de esperar que não tenham um tusto. Se tiverem, ou precisam de comprar bens de primeira necessidade (sapatilhas Nike, Adidas, telemóveis, consolas de jogos, copos, charros...), ou foram os pais que os puseram a trabalhar e provavelmente já está tudo derretido em líquido avermelhado e com 13% de álcool. Chegamos assim aos que interessam, são 6 966 564 pessoas com mais de 15 anos, que já têm corpinho para alombar. Lamentavelmente, continua-se a teimar em pôr a malta a estudar (graças a Deus pela taxa de desistência) e há também aquele pequeno detalhe da taxa de desemprego, que parece anda pelos 17%. Como mesmo entre os empregados, a maioria ganha uns luxuosos 485 euros e são uma cambada de ranhosos que não vai querer colaborar, devem sobrar para aí uns 1 500 000 de portugueses, que sempre conseguem dar qualquer coisinha. Mais coisa menos coisa, a brincadeira deve dar para aí 500 milhões de euros.

Para administrar este dinheiro é necessário criar uma comissão instaladora, que certamente terá um presidente, duas secretárias, uma viatura de serviço e dois motoristas. Dois vice presidentes, cada um deles com a sua secretária, viatura e motorista. Obviamente serão necessários assessores e pessoal administrativo. Esta gente toda tem de ser metida num edifício, com construção a contratar à empresa "certa". Como isto é uma ideia inovadora, nunca o povo se uniu para este efeito, o edifício deverá ser representativo do projeto e emblemático, pelo que há que fazer viagens aos principais ateliers internacionais de arquitetura para apresentar o conceito, ainda antes de abrir um concurso internacional. Já que estamos numa de concursos, em vez de se aplicar o dinheiro para amortizar a dívida, porque não aceitar sugestões. Faz-se uma coisa ao jeito das sete maravilhas, um programa de televisão com apresentadores a 25 mil euros por cabeça, que anda pelo país inteiro a entrevistar o cidadão comum. No final, tem de haver uma gala de entrega do dinheiro à ideia vencedora, com vários artistas convidados e a Lady Gaga para encerrar.  O cheque vai ser de 25 mil euros e ainda vai ficar uma dívida à empresa de catering que forneceu o evento.

4 comentários:

Maria D Roque disse...

Sadly sad, but true...

kiss me disse...

Muito bom!!!

Pedro disse...

Quando queres escreves umas coisas boas. Aproveita este natal pois para o ano se tivermos umas rabanadas para comer já será muito. Ainda criam um imposto sobre o natal. O IRSN, quem comprar mais presentes no natal paga mais IRS. PQOP.

RCA disse...

:) IRSN, muito bom.

Mas sabes uma coisa, vocês dificultam-me a vida. Se escrevo sobre política, obviamente a dizer mal, é porque sou um gajo muito negativo e que devia olhar para as coisas boas da vida. Se escrevo sobre as coisas boas da vida, enfim, tu e a Sílvia começam a flirtar :)

Bom Domingo!