segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Refundação do Estado - Educação

Com a Constituição da República Portuguesa pós PREC ficaram instituídas algumas ideias engraçadas, na verdade obrigações que o Estado devia garantir, como por exemplo a educação

A coisa não foi por acaso, porque antes do 25 do 4 quem era de famílias desfavorecidas e queria estudar só tinha um caminho, o seminário. Não tinha necessariamente de ser ordenado padre (aí e tal, afinal não sei se me quero casar com Deus, ou isso são as freiras?), o que já não é mau de todo, mas sempre passava por alguns incómodos durante as noites de inverno, outono, primavera... Adiante. De resto, a malta podia ser polícia (tens dezoito anos e a quarta classe), militar, trabalhar no campo ou na fábrica. Os que conseguiam estudar um pouco mais (quem diz um pouco mais, diz mais 2 ou 3 anos), lá dava em empregado no escritório de qualquer coisa. E assim se mantinha um modelo em que tantos fizeram ganhar tanto a tão poucos.

Quando disse ideias engraçadas, não é porque duvide que todos devemos ter oportunidades iguais, mas sim que uma sociedade não aguenta que todos sejam iguais, o que parecendo o mesmo, não é. É que, já se sabe, não basta obrigar os putos a fazer nove anos de escolaridade para que desatem a aprender. Melhor, que todos consigam e, mais importante ainda, queiram. E é assim que nos dias de hoje a malta que quer e pode estudar, não tendo de aturar os padres do seminário, tem de conviver no 5.º ano com gajos de 16 anos mais ou menos entediados, o que me parece condição suficiente para dar asneira. Depois há aquele pequeno detalhe de termos imensos doutores e engenheiros de tudo e mais alguma coisa, mas não temos o que lhes dar para fazer e, quando temos, pelos vistos o que se paga não é, digamos, digno.

Como agora era um bocado chato dizer à malta que afinal era a brincar e que não, isto não é para todos,  porque alguns têm mesmo de ganhar uma miséria para que as empresas sejam competitivas, parece que se vão alterar as regras a meio do jogo e introduzir-se novos pagamentos na educação. E pronto, está feito. Não há nada como uma crise para, passados mais ou menos quarenta anos, voltar a pôr o povo onde pelos vistos alguns acham nunca devia ter saído, que aparentemente é no limiar da pobreza e ignorante.

3 comentários:

Pedro disse...

Acho que já é tempo e devido à situação do país haver uma modificação nos deveres do estado.Isto dava para estar aqui o resto da tarde e só tenho o tempo duma bica mas educação e saúde grátis só para quem tem mesmo necessidade: desempregados sem chance de arranjar trabalho, trabalhadores que ganhem desde o ordenado mínimo até a um patamar a defenir, reformados com reformas vergonhosas e portadores de certas doenças incapacitantes.Toda a saúde preventiva seria grátis: vacinas, saúde materna e infantil e rastreio oncológico.Posso dizer que tenho uma profissão ligada à saúde e vejo as injustiças que existem, principalmente a nível hospitalar que é mais o meu meio.Quanto aos cursos e saídas profissionais estamos a formar desempregados. Pelo menos as Universidades públicas tinham a obrigação de limitar as inscrições em cursos que não têm saida profissional. Criem cursos técnicos, práticos, especializados que esses sim têm oportunidades. Por hoje é tudo que já passei do meu tempo de antena e de lanche. Até à próxima.

Maria D Roque disse...

Para quem não viveu LÁ, está muito bem posto, piqueno RCA.
Acredito no ensino para quem quer estudar. Quem sabe não há por aí muito quem gostasse de ser lavrador e não pode, porque não deixam, porque tem que acabar o 12º ano e depois ir para a Universidade em vez de ir plantar batatas ...
De qualquer modo estes tipos estão a vingar o antigamente, e vão-nos fazer amargar a revolução e os direitos que ela troxe ao povo português, sendo que essa corja foi quem mais deles usufruiu.

RCA disse...

Pedro, eu até me ia meter com a saúde, mas preferi ficar caladito... Eu sou assim, calmo e ponderado!