sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Morreu a actriz Sylvia Kristel, a eterna Emmanuelle

E então? Nada de condecorações póstumas? Bandeiras a meia haste? Sei lá, pelo menos um minuto de silêncio na Assembleia da República?

É que esta senhora fez mais pela educação sexual nos anos 70 e 80 do que qualquer iniciativa governamental e muitos deputados passaram horas infindáveis à frente à televisão, com uma mão... Bom, andando. Ela e o tipo que escreveu o "Fanny Hill", um tal de John Cleland, que já em 1748 e sem se pôr com fantasias imbecis, escreveu uma coisa com muito mais interesse do que as cretinices da E.L. James (e digo isto com confiança de quem leu o primeiro e não faz ideia do que a segunda escreveu).

Aliás, para essas mamãs que agora leem pornografia como se não houvesse amanhã, que tal olharem para a coleção de livros dos maridos? Não são esses aí à frente, palermas! Os de trás. É que esse Henry Miller, com a capa preta e o título "Trópico de Cancer", não é um curso de astrologia para amadores.

Vá, toca a encadernar isso com papel pardo e disfarcem o sorriso estúpido quando vão a ler no autocarro.

7 comentários:

Rosa Cueca disse...

Olha, boa sugestão, ando a precisar de um livro novo e tudo.

kiss me disse...

O meu avô quando me deu uma série de livros dele, incluiu no lote o Tropico de Cancer. No entanto, antes de me dar (e eu já com uns 27 ou 28 anos!) perguntou à minha mãe se podia.

Sofia disse...

Trópico de Cancer é um grande livro como quase todos do Henry Miller.Outro grande livro com um forte carisma erótico é "Os Insaciáveis" de Harold Robbins que foi adaptado ao cinema com uma excelente Carrol Baker (lindíssima). O filme é de 1964 mas vale a pena ver.Nunca vi nenhum filme "Emmanuelle" mas ela era linda e a música do filme também.Pôs os homens tolos pós 25 de Abril.

Maria D Roque disse...

O trópico de Cancer era para ler às escondidas... :D:D... e fui ver Emmanuelle com o BI duma amiga mais trambolhosa do que eu, mas mais velha QB. Depois o sexo foi banalizado , passou a ser explícito e o gozo e a excitação de ver um filme softcore onde tudo era um magistral innuendo perdeu-se ... as gerações mais novas, nunca iriam entender...

RCA disse...

Realmente o Harold Robbins também escreveu uns livros do caraças.
O meu pai, que era um gajo bacano, tinha disso tudo, por isso...

É, é, foram mesmo as gerações mais novas que banalizaram o sexo... Sim,sim, porque dantes casava tudo virgem :)

Maria D Roque disse...

Pois sim :D:D... mas antigamente havia um ritual, uma descoberta que se ia saboreando aos poucos... não era a "coisa" em si. era a ideia da sensualidade da "coisa"que nos excitava. Depois vieram as sessões contínuas no Olympia, e nada voltou a ser igual

Maria Costa disse...

Não acho que foram as gerações mais novas que banalizaram o sexo até porque filmes, livros e revistas que falam ou mostram sexo, não são feitos por jovens mas sim por adultos de outras gerações. Hoje em dia há uma maior pressão sobre os jovens que são bombardeados com temas e mais temas sobre sexo, como se fosse receitas de culinária e que se não correspondem ao que leem ou veem já se sentem inferiores ou pensam que têm problemas.Além disso há a maior liberdade que têm em relação com gerações anteriores mas também não têm aquela adrenalina do fruto proibido é o mais desejado. Tudo o resto é igual.Sexo foi, é e será sempre sexo.